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Era uma vez Mika, uma coelhinha de pelos macios, com as orelhas compridas que pareciam antenas para as estrelas. Ela morava num covilinho fofinho no meio do Bosque Luminoso, onde a lua sorria todas as noites.
Todas as noites, Mika tentava dormir, mas sua cabeça dançava com pensamentos brincalhões. “E se amanhã houver mil coisas para fazer?” pensava, bocejando, enquanto as ideias saltitavam como grilos brancos sob a janela.
Numa noite de céu prateado, Belo, uma coruja sábia, pousou na velha figueira perto da casa de Mika. “Boa noite, Mika”, disse Belo, com voz suave e olhos curiosos. “Sabe por que não dorme? Vamos tentar juntos.”
Belo sorriu, balançou as penas e acrescentou: “Vamos aprender a acalmar tudo? Vamos até a Cidade das Sonecas.” Mika hesitou, mas o convite brilhou como uma estrela que quer brincar.
No caminho, encontraram Lumina, fada das Estrelas, com asas translúcidas que refletiam o brilho do cosmos. Ao lado, Pip, o vaga-lume azul, acendia pequenas luzinhas que pareciam passos de dança.
Na praça central da Cidade das Sonecas, Tico, o vaga-lume brincalhão, piscou em ritmo suave: “Cada pensamento merece um cantinho seguro, como livros na estante. Venha, Mika, vamos organizar.” Mika sentiu o peso aliviar.
Juntos, entraram na Biblioteca da Cabeça, uma livraria gigante que girava bem devagar dentro da cabeça de Mika. Prateleiras brilhavam com pensamentos, sonhos, medos e desejos, cada um esperando seu momento de descanso.
Eles separaram as ideias por cores: a alegria ganhou um cantinho dourado, a preocupação ficou numa caixinha de veludo, a curiosidade ficou numa prateleira azul. Mika respirou fundo, observando cada cantinho como quem arruma uma casa.
Pip soprou uma brisa suave, e Belo ensinou a respirar em três tempos: “1... 2... 3... inspire devagar, expire devagar.” Mika repetiu, e as luzinhas das prateleiras começaram a guardar o ruído dentro de si.
A cada suspiro, a biblioteca ficou mais silenciosa. Mika bocejou, cobriu-se com o cobertor de estrelas e deixou pequenas nuvens de conforto pousarem na barriga. O sono chegou como um abraço macio.
Ao acordar no dia seguinte, Mika percebeu que a noite de sono tinha organizado sua mente, que antes era uma confusão curiosa. Dormir não era apenas descansar; era manter as ideias em paz.”
Dormir organzia nossa mente. Uma mente desorganizada é como uma livraria com livros bagunçados.