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Na aldeia do Bosque Sorridente, Rafa era uma menina de nove anos com pele morena, cabelo castanho liso e franja que caía sobre a testa, e olhos castanhos que brilhavam quando ela sorria. Bibi também tinha nove anos, pele morena clara, cabelo preto e liso, olhos pretos atentos e um olhar que parecia puxado pela curiosidade do mundo. Elas eram melhores amigas, capazes de transformar qualquer tarde comum em uma pequena expedição. Juntas, exploravam trilhas serpenteando entre raízes antigas, liam histórias sobre heróis invisíveis e ajudavam quem precisasse. Rafa gostava de tomar a frente, já Bibi era quem pensava antes de agir; mas o que as unia mesmo era a certeza de que a amizade é mais forte quando se enfrenta o desafio lado a lado.
Foi numa tarde de luar que uma notícia triste chegou à vila. A Pedra Brilho, a pedra encantada que fazia a fonte do Bosque cantar e deixava o lugar cheio de cores, havia sumido. Sem a pedra, as trilhas pareceram perder brilho, os pássaros pareceram menos animados e até as risadas tinham menos força. Rafa e Bibi correram para a praça para falar com Tina, a coruja sábia que vivia numa velha árvore junto à fonte. Tina abriu um olho amarelo e, com voz calma, disse: A nossa força está na amizade. Não vamos desistir sem antes procurar com paciência e coração aberto. Rafa: Vamos dividir as pistas. Bibi: E manter a calma, para ouvir o que a floresta pode nos ensinar.
Enquanto a praça ainda discutia, uma figura curiosa aproximou-se. Rainha Má era uma menina de oito anos com sardas, cabelo ruivo cacheado e olhos verdes que brilhavam com malícia infantil. Embora jovem, ela já carregava a reputação de alguém que prefere mandar. Rainha Má: Vocês estão perdendo tempo. A Pedra Brilho pode ter encontrado outro lar. Rafa, firme, respondeu: Não sabemos de nada ainda, Rainha Má. Bibi: Precisamos investigar, sem acusar ninguém. Rainha Má ficou olhando, mexendo nos fios do cabelo, e não disse mais nada, mas a ideia de se juntarem a eles parecia intrigante de algum modo.
Para tornar a busca mais organizada, Tina sugeriu chamar dois companheiros da floresta: Leo, o esquilo veloz que adorava mapas, e Mia, a tartaruga que conhecia cada pegada deixada pela manhã. Leo saltou entre as árvores com animação: Vou cobrir as copas altas e as trilhas mais empoeiradas; vocês me chamem se precisarem. Mia, com voz tranquila, acrescentou: Enquanto vocês partem, eu fico de olho nas marcas no chão, podem apostar. Com esse time improvável, o grupo partiu, cruzando clareiras e riachos, na direção onde as pistas pareciam apontar.
A manhã se desenrolou com vento fresco e enigmas a serem decifrados. Rafa tentava manter o passo apressado, mas Bibi a puxava de lado para observar cada sinal. Em uma clareira, encontraram uma ponte de madeira quase destruída pelo tempo. Rafa: Vamos atravessar devagar. Bibi: Cuidem para não escorregar. Rainha Má, que segurava uma fita colorida para marcar a rota, sorriu pela primeira vez: Rainha Má: Posso ajudar a prender a corda entre as duas margens. Leo, de alto nas árvores, chamou: Leo: Cuidado com as correntes. Mia: E atenção aos espinhos nas margens do córrego.
Mais adiante, uma névoa doce envolve a entrada de uma caverna. Dentro, sombras dançavam como se fossem histórias antigas pedindo para serem contadas. Rafa sentiu o peito acelerar e, pela primeira vez, olhou para Rainha Má com mais respeito: Rafa: E se não encontrarmos a Pedra Brilho? Bibi respondeu com calma: Bibi: Não vamos pensar no pior ainda. Vamos observar, ouvir a floresta e seguir as pistas. Rainha Má admitiu baixinho: Rainha Má: Também estou com medo, mas não quero que isso nos afaste. Vamos juntos.
Ao se aproximarem do fundo da caverna, Leo, que escalava as paredes como se fosse de borracha, apontou para uma fresta escondida pela escuridão. Lena, a pequena coruja de penas azuladas, que os acompanhava nos sonhos, murmurou: Lena: Olhem ali. E lá, repousando sobre um pedestal rochoso, a Pedra Brilho brilhava com uma luz suave. A pedra não fora roubada; estava apenas protegida pela sombra do medo que a floresta tentava espalhar. A descoberta trouxe alívio, mas mostrou que o verdadeiro brilho dependia da coragem de enfrentar a escuridão juntos.
Quando tocaram a Pedra Brilho, o Bosque inteiro pareceu respirar de novo. A fonte voltou a cantar, as cores se reavivaram e os risos dos animais voltaram a lotar o ar. Rainha Má aproximou-se com reverência, segurando a pedra com cuidado: Rainha Má: Eu achei que fosse espírito de orgulho, mas é a força da amizade que a faz brilhar. Rafa sorriu: Rafa: O Bosque brilha porque todos cuidam dele. Bibi acrescentou: E brilha ainda mais quando reconhecemos as qualidades de cada um, mesmo aqueles que às vezes parecem diferentes de nós. O grupo sentiu que a jornada os tinha unido de maneiras novas.
De volta à vila, a Pedra Brilho foi colocada em um pedestal na praça central, cercada por pequenas lanternas que cada criança acendeu de forma simbólica. Rafa e Bibi prometeram continuar explorando juntos, com a ajuda de Leo, Mia, Tina, Rainha Má e todos os habitantes do Bosque. A vida parecia mais viva agora, não porque a pedra brilhasse sozinha, mas porque a amizade havia se tornado o motor de cada gesto. E assim, a cada nova aventura, aprenderam que enfrentar os problemas junto é o caminho para que as soluções apareçam. Moral: se correrem dos problemas, eles nunca irão se resolver.